Não gosto muito de falar sobre mim mesma, mas acho que estou devendo isso a vocês…
Realmente, estou caindo de pára-quedas em Granja, pois não sou natural do município e nem nunca morei nele.
Estou encarregada de coordenar e elaborar a segunda e a terceira etapas do PDP de Granja, tendo sido contratada pela Sanebrás.
Sou arquiteta, formada na UFC em 1977, (isso mesmo, com bastante chão caminhado). Trabalhei no Estado de 77 a 97 em órgãos que se extinguiram ou mudaram a denominação – IPLANCE, SEPLAN, SDU, SAS, e novamente IPLANCE.
Nesses órgãos, pude participar de programas e projetos que ampliaram minha visão de urbanista/arquiteta. Trabalhei próximo a economistas, sociólogos, advogados, engenheiros e minha listas de “mestres” não caberia aqui nesse blog, embora alguns tenham sido bastante especiais, como Wagner Brito, Adolfo Marinho, Paulo Sabóia, entre muitos outros… Mas devo reconhecer que o pouco que sei, devo ao trabalho com as comunidades, onde exemplos de vida são uma constante.
Comecei minha caminhada elaborando um trabalho sobre a Macrocefalia de Fortaleza – Suas Raízes. Tive que estudar muita história do Estado para poder realizá-lo. Foi quando me interessei por saber o processo de formação das nossas cidades, analisar censos demográficos, etc… Fiz outros trabalhos mais voltados para creches, cooperativas, centros sociais urbanos. Na SEPLAN, ficamos responsáveis pela elaboração da política urbana e habitacional e por trabalhos que visavam classificar os municípios dentro de critérios socioeconômicos (ainda não existiam IDH, IDM, mas eram semelhantes). Na SDU – Secretaria de Desenvolvimento Urbano, hoje Secretaria das Cidades, tivemos que por em prática muitas das nossas propostas que até então tinham sido restritas as esferas de planejamento. Tive a honra de participar de programas inéditos de Mutirão Habitacional, de Saneamento Rural, inclusive os ecológicos como o Parque do Cocó. Na Secretaria da Ação Social, também inovamos na implantação de ABC’s e Creches Comunitárias. Depois, tive a experiência bastante enriquecedora de participar junto com a Lana Araújo, da Equipe de Concepção de Planos Diretores. Sinto-me, portanto, ligada de forma umbilical aos Planos Diretores. Não sei se vocês sabem, mas o Ceará foi um dos primeiros Estados a elaborar PDDU’s, antes mesmo da obrigatoriedade no Estatuto das Cidades. Realizei juntamente com a Maria Luzia, que também está participando desse trabalho, vários Termos de Referência para contratação dos Planos Diretores. E, como ficamos responsáveis pela avaliação das propostas técnicas para o PROURB – programa do Banco Mundial, ficamos impedidas de participar da sua elaboração. No entanto, na segunda etapa do programa, pude participar da elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Jijoca de Jericoacoara na condição de Coordenadora Geral, contratada pela firma GEOSAN, de propriedade do Dr. Francisco Vieira Paiva, hoje, também proprietário da SANEBRÁS.
Posteriormente, elaborei vários trabalhos dirigidos ao setor de turismo, como o Plano de Ação Turística do Crato, entre outros. Participei, mais recentemente, da elaboração de Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável do Litoral Leste, no segmento Desenvolvimento Urbano.
Como consultora independente, fui contratada por várias firmas e participei da realização de trabalhos como o de Diretrizes para o Plano de Governo de SOBRAL – CADA VEZ MELHOR, no qual, para satisfação minha, pude constatar que um Plano Diretor pode fazer toda diferença, quando encarado com seriedade.
Mais do que cabelos brancos, essa minha caminhada me proporcionou uma visão crítica e bastante reflexiva sobre os trabalhos que estou realizando. Claro que preciso de dinheiro para poder me sustentar, mas não é só o dinheiro que me motiva a trabalhar.
Não tenho o menor interesse em realizar trabalhos cujo destino será o fundo de uma prateleira, ou de uma gaveta de arquivos.
Quero ver acontecer.
Sei das possibilidades que um Plano Diretor proporciona, mas estou também muito consciente da condição hermética em que ele é produzido.
Como temos que atender alguns requisitos técnicos para a sua elaboração, geralmente ele fica volumoso e inacessível para 99,99% da população. No entanto, ele regula a vida, interfere no patrimônio, dita as regras, enfim é essencial para todos os habitantes da cidade. A cidade não conhece e nem se reconhece neles, pois a sua elaboração ficou também distante. E isso me encuca cada dia mais.
Não acredito em participação somente com audiências públicas. Dificilmente, um técnico consegue repassar tudo o que ele produziu durante mais de seis meses em 25 minutos de exposição. Por outro lado, a população recebe uma carga de informações muito grande para poder opinar em três ou quatro minutos concedidos.
Por conta própria, estava me preparando para lançar novas formas de divulgação em vídeos, cartilhas, através da internet sobre PDP’s e Cidadania quando fui convidada a participar do PDP de Granja.
Confesso que ainda não pude colocar em prática as minhas idéias, e esse blog é uma tentativa de quebrar esse processo. Tenho aprendido muito elaborando esse documento. Principalmente, reconhecendo que o meu pouco saber técnico é extremamente insuficiente para um trabalho que requer vivencias e reflexões.
Gostaria que esse blog fosse um instrumento de construção coletiva. Como considero o Plano um processo, não estou muito interessada se essa participação vai ocorrer depois da entrega do trabalho.
Quero por fim agradecer as comunidades do orkut que estão me apoiando e hoje estou feliz por saber que posso contar com a colaboração de pessoas interessadas a desenvolver o município.