Ruth Torres

arquitetura e urbanismo

PDP de Granja

A IMPORTÂNCIA DA ESTRUTURAÇÃO TERRITORIAL

Eis aqui o cerne do Plano Diretor Participativo de Granja. Essa é a etapa do Plano em que as propostas serão explicitadas.
No início foram as sementes, os desejos, as vontades, as considerações que firmaram as etapas anteriores como na Leitura da Realidade.
Posteriormente procurou-se criar raízes, criar condições de sustentabilidade, de permanência, de apoio, que no Plano Estratégico foram traduzidas por recomendações de ações que dariam a devida sustentabilidade sócio-econômicas e ambientais.
Partimos agora para o cerne, a seiva, o interior do tronco, a possibilidade de crescer e se multiplicar, a garantia de manutenção e o alimento para a as outras partes.
A criação de casca, de defesa, de garantia de que o essencial possa ser preservado é, na nossa metáfora, a etapa que se segue referente à da implantação de legislação e explicitação de regras.
Por fim o resultado, as folhas, flores e frutos, que embelezarão que garantirão a sobrevivência, que tornarão a vida mais amena, mais feliz.
E, a fotossíntese, liberando o oxigênio para as outras espécies, compartilhando, induzindo, propagando a vida, que seriam o exemplo de cidade, o marketing, o modelo a ser aproveitado.
Dentro dessa comparação essa etapa também cumpre sua função. Necessita aproveitar tudo o que foi coletado pelas raízes e levar à menor folha, ao mais saboroso fruto a mais expressiva flor. Tem que ser ao mesmo tempo o caule de sustentação, mas tem que se desdobrar em galhos sucessivos, ramificados, interligados, que permitirão a sustentação de todas as partes.
Não existe uma folha, uma flor, um fruto solto no ar. Tudo está preso a uma estrutura, e está de certo modo integrado, ligado, interligado.
Assim como nossa árvore, a formação da seiva também precisa de agentes externos. Precisa que seja constantemente regada, principalmente no período de formação. Precisa depois que haja chuva suficiente. Regar o começo pode ser feito com baldinhos, com pouca água. Mas precisa ser quase diário, intermitente, constante.
A proteção contra as pragas, as intempéries, também são traduzidas pela necessidade de acompanhamento, de monitoramento, de cuidados para garantir a existência.
Ao dar flores e frutos aparentemente já cumpriu a sua missão. No entanto a planta quer mais. Quer se reproduzir. Quer marcar a sua presença. Quer se renovar a cada período, a cada estação, a cada mudança. Quer atingir os céus, busca a utopia. Sabe que tendo sido regada com tanto carinho pode se sobrepor, pode ir além das próprias forças, pode desafiar a gravidade.
Um dos seus grandes méritos é que pode servir de sustentação para outras plantas, e juntas formarem a floresta. Não interessa saber mais quem é o sustentáculo e quem é a parasita. Compõem um só corpo. Uma só unidade. Compartilham da mesma alma.
O Plano Diretor também tem o mesmo processo. Dele surgem Políticas Setoriais que irão complementá-lo, que irão reforçá-lo. É uma verdadeira simbiose em prol de uma cidade mais eficiente, mais justa, mais humana.
Essa comparação pode ser estendida até no fenômeno da morte. O Plano Diretor também é predestinado a ter um fim, a ficar obsoleto, a deixar de valer. Espera-se, contudo que ao longo de sua vida tenha deixado sementes, para que o processo possa se retroalimentar.

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