Ajudar Granja no YouTube Granja, cidade do interior do Ceará, está sofrendo com as enchentes. Veja os momentos de angústia e as destruições provocadas pelas chuvas. Saiba porque e como ajudar. Colabore
A natureza, tão linda, tão mãe, tão provedora as vezes se torna severa e mostra toda a sua força.
Mostra que não está para brincadeira, e não poupa ninguém. Nem os lugares mais tranquilos, mais pacatos.
A chuva, ansiada, que encanta, que traz prazer,que remete às brincadeiras, que está associada à fartura,à esperança de dias melhores, quando em excesso: inunda, traz desconforto, atrapalha, modifica a vida, traz prejuízos incalculáveis, pois causa traumas, amedronta, e provoca perplexidades.
Presenciamos hoje uma das maiores enchentes que se tem notícia nos últimos tempos. Logo nós, reconhecidos que somos pelos estigmas das secas.
Essa nossa perplexidade tem causa. Na realidade ela traduz um distanciamento entre o homem e a natureza que a vida atual tem proporcionado.
Supertições, religiões, credos foram construídos ao longo do tempo, em reconhecimento da nossa impotência frente aos fenômenos naturais.
O homem contemporâneo, com todo o seu antropocentrismo, relegou essas crenças, e até achou que poderia dominar a natureza.
Mais do que isso: o homem passou a desprezar, a desconsiderar a natureza. Polui-a, sugou-a, alterou seu equilíbrio.
Hoje, comprometida com o aquecimento global, a vida se altera. O que antes era discurso de ecologistas xiitas, hoje é realidade.
Calamidades como tsunamis, furações, vendavais estão cada vez mais frequentes nos noticiários.
Enchentes, não são novidades. Nossas secas são muito mais fruto de regime irregular de chuvas do que propriamente uma falta delas.
O que mudou, além da intensidade das chuvas, é a nossa conscientização sobre o fenômeno.
Ajudar as vítimas das enchentes não se constitui, portanto,somente um ato de humanidade, torna-se uma responsabilidade social.Não se pode culpar unicamente os moradores das áreas atingidas pelo o que está acontecendo. Uma parte da culpa pode estar aqui em Fortaleza, no Estado, no País, no mundo. Reflete um modo de vida que no mínimo está errado.
Granja está nos noticiários como uma das áreas mais atingidas do norte do Estado do Ceará.
Provavelmente uma conjunção de fatores provocaram essa calamidade. Intensa precipitação pluviométrica em um curto espaço de tempo, aliado a maré alta, por um lado,e, por outro, um assoreamento do rio ou o rompimento da barragem podem ser apontadas como causas.
Somos testemunhas, no entanto, que não se pode quitar somente as ocupações irregulares de Granja a causa das tragédias. Estamos elaborando o Plano Diretor de Granja e identificamos que com excessão de umas poucas edificações na Lagoa Grande e algumas casas no bairro Barrocão, a cidade conseguiu preservar de maneira satisfatória seus recursos hídricos.
A cidade mantém uma relação de afeto e respeito com o seu principal recurso hídrico. São inúmeras as manifestações desses sentimentos.
Para ser sincera, Granja não merecia passar pelo o que está passando. Mas Deus deve ter lá suas razões.
Momentos felizes louvem a Deus.
Momentos difíceis busquem a Deus.
Momentos silenciosos adorem a Deus.
Momentos dolorosos confiem em Deus.
Cada momento agradeça a Deus.
O que tem que ficar claro é que não podemos deixar Granja desamparada. Granja é fruto de uma solidariedade histórica. Seu processo de povoamento já predizia esse seu destino. Índios foram sesmeiros, o que se deduz que tinham a condição de cidadão. Escravos fugidos das terras do Piauí vieram se abrigar em Granja em função do Estado do Ceará ter se antecipado em relação à Abolição da Escravatura.E passaram a fazer parte da população, dado ao elevado grau de miscigenação que propiciaram.
Granja sempre se destacou por acolher bem seus migrantes. Mesmo quando eram em levas, miseráveis de zonas atingidas pelas secas. Deu-lhes, além do pão e da água, dignidade. Guarda com carinho e orgulho os prédios construídos nas frentes de emergência.
Mas hoje, Granja é quem está precisando de solidariedade.
Não tem condições de se sobreerguer sozinha, pois tem índices comprometedores de IDH e sua economia é bastante frágil.
Comida, remédios, roupas,lençóis, estão sendo solicitados.
A solidariedade da população local é comovente, contagiante. Mas é ainda incipiente frente aos inúmeros problemas surgidos. Uma campanha de âmbito nacional está sendo articulada por pessoas idôneas, realmente comprometidas com a população local.
A Granja de Amanhã também requer cuidados.É preciso reconstruir Granja em bases mais planejadas.
Granja não quer esmola, oferece oportunidades. Sua localização estratégica viabiliza empreendimentos voltados para o abastecimento das cadeias turísticas implantadas nas proximidades - Jericoacoara, Camocim e Ibiapaba.
Pode se transformar em um centro de excelência da carnaúba.
Mas é importante frisar que Granja não almeja um progresso destruidor, prefere um desenvolvimento progressivo e sustentável
Granja tem cidadãos conscientes de suas dificuldades, e que sabem o que querem. Foi concebida no Plano Diretor Participativo para se tornar um modelo de cidade, com efetiva proteção dos seus recursos hídricos, com acessibilidade plena, com privilégio para o transporte alternativo, tendo sido previsto a criação de uma ciclorede integrada ao sistema viário, com espaços de cultura distribuídos em várias zonas da cidade, com a criação de uma verdadeira floresta urbana, com a qualificação de suas infraestruturas, com a oferta de moradia digna, com a criação de pontos de encontro entre muitas outras propostas.
Investir em Granja é, portanto, acreditar que o mundo pode ser melhor. Que vale a pena se pensar em um modelo alternativo de vida. Que a natureza poderá ser revalorizada, respeitada, entendida. E que novos desafios poderão ser superados com menos incômodos, com menos traumas.
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RUTH


